Reencarnação

A história de Maria Virgínia


Reencarnação

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REENCARNAÇÃO
Heloisa Pires

Como acontece com a maioria dos grupos familiares após uma etapa de experiências na Terra, alguns anos depois de descanso e estudos, os familiares estavam novamente reunidos para avaliarem erros e acertos; planejariam também novas experiências...

As posições de pais, mães, irmãos, poderiam mudar, mas os laços de amor ficariam mais fortes.

Espíritos muito jovens, outros mais maduros, rostos radiantes, alguns tristonhos, unidos no objetivo de conquistar a evolução. Desejavam sair definitivamente do éctipo, como dizia José Herculano, da submissão ao torvelinho do mundo, conseguir se abrir no arctipo, cidadão universal.

Entre os jovens, uma se destacava pela beleza e simpatia. Olhos negros brilhantes, sorriso sempre presente e a capacidade de conversar com todos, demonstrando enorme capacidade de amar. Ouvia carinhosamente cada um, mais preocupada em auxiliar do que cuidar dos seus interesses. Consolava os que se sentiam fracassados, abraçava os que estavam felizes. Não parava quieta, tentando descobrir quem precisava de auxílio. Jovens chamavam: Virgínia... Virgínia... Ela atendia sorrindo, como se existisse só para servir, ajudar...

Dois olhos castanhos, inteligentes, bondosos, a observavam, encantados. Um jovem sério parecia analisar a situação e, como há séculos, Virgínia continuava falando alto ao seu coração. O casal estava ligado pelos laços do amor verdadeiro. Reencarnariam e continuariam a caminhar unidos, dividindo experiências e desenvolvendo o “amai ao próximo como a si mesmo”.

O orientador do grupo convidou todos a sentarem em círculo; Virgínia e Herculano permaneceram de mãos dadas. Ela irradiava alegria... Ele era mais contido.

Dois espíritos nobres viriam como mães: Dininha, que teria Virgínia como filha, e Bonina, Herculano. Dininha, morena, rosto agradável e levemente melancólico; Bonina, alegre, loura, olhava encantada seu filho Herculano. Os pais seriam o alegre e otimista Ferraz e o moço com grande potencial mediúnico, José Pires. Os pais receberiam vários filhos...

Todos encontrariam o espiritismo e deveriam trabalhar na obra da divulgação dos ensinamentos de Jesus.

José Herculano e Virgínia seriam responsáveis por uma grande tarefa na seara do mestre de Nazaré; dividiriam responsabilidades. Virgínia disse que preferia permanecer “nos bastidores”, auxiliando Herculano. O filósofo agradeceu, mas disse que ela seria sempre uma estrela...

Dininha lembrou a todos que desencarnaria ainda jovem, mas que estava tranquila, pois sabia que Virgínia e Herculano dariam as mãos, auxiliando Ferraz na criação dos cinco irmãos. A família era uma só...

Bonina disse que viveria muito e pretendia aproveitar bem a encarnação, auxiliando os filhos a compreenderem a finalidade da vida na Terra; sabia que o casal a auxiliaria.

João, futuro irmão de Virgínia, disse que desencarnaria muito jovem, pois necessitava dessa experiência; teria tempo de se dedicar por alguns anos à divulgação do consolador prometido por Jesus.

Os quatro futuros filhos de Virgínia e Herculano, meus irmãos e eu, observávamos nossos queridos pais agradecendo a Deus pela família e pelo encontro com a doutrina espírita.

Ferraz e Pires reencarnariam primeiro e, poucos anos depois, Dininha e Bonina... Bem mais tarde, Herculano, Virgínia e os irmãos... Depois nós, os filhos... Ainda havia tempo para o estudo e a prática do amor... A alegria era intensa.

Todos foram preparados para a vitória... Mas, venceriam?
 

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