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CIDADANIA PAULISTANA
Francisco Cândido Xavier

A Câmara Municipal de São Paulo outorgou a Francisco Cândido Xavier o título de Cidadão Paulistano.* Escrevemos ao médium felicitando-o e considerando a significação do fato para o espiritismo, que vem assim obtendo o reconhecimento oficial do seu valor religioso e cultural em nosso país, de maneira inteiramente espontânea. Chico Xavier respondeu com a carta que abaixo transcrevemos em seus tópicos essenciais.

Caro amigo:

A sua carta foi para mim uma benção de reconforto e alegria. Muito grato pelo que me diz, com a sua bondade de amigo. Sinceramente, nunca fui a qualquer solenidade de caráter espírita com a ideia de estar ali com o meu nome ou supostos méritos pessoais. Sempre tenho ido a essas ocorrências cumprindo um dever para com os nossos princípios. Nada mais do que isso.

Sempre me sinto, nessas ocorrências, à feição do mais ínfimo empregado de uma organização que estivesse nesses acontecimentos para receber algum documentário claramente da firma que me engajou em serviço. Apesar disso, a ala dos adversários não se cansa de me escrever acusando-me de vaidade, de orgulho, de pedantismo e de outras perturbações.

Agradeço, desse modo, as suas benditas palavras, porque as considerações que temos recebido são dedicadas ao espiritismo e não a mim. E, em verdade, não posso responder com pedradas a essas manifestações de respeito e carinho para com a nossa doutrina.

Envio-lhe a mensagem psicografa em nossa reunião pública. Alguns dos visitantes comentaram, antes da reunião, o problema da paz. Isso acontecia provavelmente em razão dos acontecimentos do Vietnã, nos dias últimos, e as opiniões, como sempre sucede, eram as mais variadas.

As tarefas começaram e O livro dos espíritos nos ofereceu a exame a questão 921, surgindo edificantes explanações de parte dos irmãos presentes. Ao término da reunião, o nosso caro Emmanuel escreveu a página Mensagem de paz.

* Recebido em grande solenidade realizada na capital paulista a 19 de maio de 1973.

MENSAGEM DE PAZ
Emmanuel

Na aplicação de qualquer receita destinada à composição da felicidade, não te esqueças do aviso de que a felicidade nasce de ti mesmo.

Não aguardes do mundo a segurança que tão somente poderá ser construída por ti mesmo, dentro de ti.

Nunca menosprezes o trabalho que a vida te confiou.

A tarefa que desempenhas hoje é a base de teu apoio futuro.

Aceita-te como és e com aquilo de que disponhas para realizar o melhor que possas.

Observa sempre que não existe criatura alguma destituída de valor e da qual não venhas a necessitar algum dia.

Quanto possível, conserva a luz da virtude que te norteia a elevação, mas não permitas que a tua virtude viva sem escadas para descer ao encontro daqueles que se debatem sob a ventania da adversidade a te pedirem socorro e compreensão.

Sê fiel ao campo que abraças, sem desconsiderar a parte da verdade em que os outros se encontram.

Usa a paciência nas pequenas dificuldades para que te não falte serenidade nas grandes crises que todos somos levados a falsear nas trilhas do tempo.

Não te apegues aos anseios da juventude, nem te acomodes com o cansaço de muitos que ainda não aprenderam a viver com a criatividade da madureza.

Recorda que até hoje ninguém descobriu o ponto de interação onde termina a fadiga e começa a ociosidade.

Em qualquer tempo, exercita a fortaleza espiritual para que as tuas energias não se dissolvam, de inesperado, quando as calamidades da experiência humana se façam inevitáveis.

Resigna-te a transitar no mundo, entre os que se te revelem na condição de opositores naturais aos teus pontos de vista, mas não formes inimigos nem cultives ressentimentos.

Não abuses e nem brinques com os sentimentos alheios.

Guarda a tua paz, ainda mesmo nas grandes lutas.

Não creias em pessimismo e derrota, solidão e abandono, porque se amas conformes determinam as leis do Universo, descobrirás a beleza e a alegria em qualquer circunstância e em qualquer parte da Terra.

E jamais desesperes, porquanto sejas e estejas onde estiveres, ninguém te pode furtar o privilégio da imortalidade e nem te arredar do Esquema de Deus.

O ESQUEMA DE DEUS
Irmão Saulo

Estamos todos no Esquema de Deus. Esse esquema nos leva, através do tempo, à paz da eternidade. Mas o conceito estático de eternidade não prevalece no espiritismo, onde ela aparece como duração. O tempo é a visão fragmentária da duração, um recorte do absoluto para o uso das nossas percepções relativas. Os que se apegam ao relativo, às ilusões do temporário, esquecidos de sua própria transcendência, vivem na inquietação e portanto em guerra consigo mesmo e com o mundo.

O Esquema de Deus é o plano universal da evolução, do qual vemos apenas alguns pedaços acessíveis aos nossos sentidos. Mas a nossa mente, que é o cérebro da alma, pode perceber além dos sentidos. Por isso, nas experiências parapsicológicas já se comprovou, cientificamente, que podemos ver com nitidez o passado e o futuro, confirmando-se, assim, as pesquisas espíritas de mais de um século. Os que aprendem a se libertar do relativo para vislumbrar a duração (que é a eternidade em conceito dinâmico) aprendem a superar a inquietação e encontrar a paz.

Pela evolução, nossa mente se abre, como uma flor que desabrocha, para a percepção progressiva do absoluto que nos proporciona a paz. Não a paz do mundo, como ensinou Jesus, mas a paz do espírito. A percepção individual dessa paz se transforma aos poucos, em conquista coletiva, na proporção em que a Humanidade se eleva e o mundo se transforma. Assim, pela evolução dos homens e do mundo, a paz do espírito, que parece individual, se revelará coletiva e universal.

É importante sempre nos lembrarmos de que nada e ninguém nos poderá arredar do Esquema de Deus.

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